“O Google Campus acelerou o ecossistema inteiro”

“O Google Campus acelerou o ecossistema inteiro”

Fonte: Adriano Lira/PEGN

Em entrevista a PEGN, André Barrence, gestor do Google Campus São Paulo, faz um balanço do primeiro ano do espaço de fomento ao empreendedorismo

“O Campus São Paulo chamou a atenção dos empreendedores brasileiros, mostrou para os executivos do Google o potencial do nosso país e tem soluções que estão sendo replicadas em todo o mundo.” A frase é de André Barrence, diretor de operações do projeto.

O Google Campus é um espaço de fomento ao ecossistema de startups brasileiro, com um programa de residência para empresas, palestras, workshops e eventos em geral, bem como ambientes de convivência para empreendedores.

Na última terça-feira (13/6), o Google Campus São Paulo completou um ano de vida. E o saldo, pelos benefícios trazidos do ecossistema e pela aceitação da direção da gigante da tecnologia, foi positivo.

Em entrevista a Pequenas Empresas & Grandes Negócios, Barrence faz um balanço do primeiro ano do Campus e também comenta o atual momento do ecossistema de startups. Confira:

Depois de um ano de vida, você acha que o saldo do Campus é positivo?
Extremamente positivo. Quando houve a decisão de trazer o Campus para São Paulo, não imaginávamos que teríamos tanto sucesso. No Brasil, há uma demanda muito grande por iniciativas que apoiem o empreendedorismo. O ecossistema brasileiro é efervescente. Até por isso, mesmo sendo o Campus mais novo do mundo, nos tornamos uma operação de destaque na empresa.

Além de ser um sucesso para o ecossistema brasileiro, os executivos do Google estão satisfeitos com a empreitada. O Campus é um investimento bastante significativo para a empresa e somos cobrados para que o projeto dê certo. E eles estão felizes. A percepção é que realmente há um potencial enorme no país e que vale a pena investir no Brasil.

Qual é a relevância do Campus São Paulo em relação aos outros espaços espalhados pelo mundo?
Há operações do Google Campus aqui no Brasil e também em Londres, no Reino Unido; Madri, na Espanha; Seul, na Coreia do Sul; Tel-Aviv, em Israel; e em Varsóvia, na Polônia.

Hoje, temos 75 mil membros, e todos eles podem participar dos nossos eventos e usar alguns de nossos espaços gratuitamente mediante um cadastro simples. Apenas o Campus de Londres tem mais membros do que nós.

O programa que eu considero nosso carro-chefe, o de residência de startups, é uma criação brasileira. A iniciativa já está sendo levada ao resto do mundo, inclusive ao Campus Berlim, na Alemanha, que deve ser aberto ainda neste ano.

Fale um pouco mais sobre o programa de residência de startups.
Esta iniciativa é voltada para startups que já estão em um estágio mais elevado de crescimento. Queremos ajudá-las a ir mais longe. Nós convidamos empresas para ficarem alocadas no Campus por pelo menos seis meses. Estamos agora com a nossa segunda turma de empresas agora.

No total, 22 empresas participaram ou estão participando do programa. Cinco deles fizeram parte da primeira turma, mas continuaram com a gente para a segunda, pois acreditamos que ainda podemos ajudá-las a se tornar startups melhores. E estamos realmente contribuindo. Das 15 startups residentes da primeira turma, 11 delas aumentaram suas equipes.

Num geral, buscamos startups que tenham tecnologias interessantes e já estejam em um estágio mais avançado, com uma base de milhares ou milhões de clientes.

Além do programa de residência, quais são os outros projetos principais do Campus São Paulo?
Uma iniciativa importante é o Campus Startup School, uma série de workshops e palestras sobre diversos temas que consideramos valiosos. Já fizemos 25 edições do Startup School, que tiveram a presença de 1,5 mil empreendedores.

Temos também o Campus Exchange, um programa que traz startups de fora de São Paulo para uma imersão com a gente. Outra iniciativa é o Campus For Moms, cursos de 6 semanas para mães e pais empreendedores. Vale dizer, aliás, que a diversidade de gênero é uma das nossas bandeiras. Do nosso total de membros, 36% são mulheres.

Google Campus São Paulo já tem 75 mil membros (Foto: Divulgação)

Falando em diversidade, o Campus São Paulo atrai empreendedores de outros países?
Sim. Os empreendedores de outros países mais representativos no Campus são os americanos, franceses, argentinos, portugueses e colombianos. O ecossistema brasileiro tem potencial para se tornar um ponto de conexão global, tanto para atrair empreendedores do exterior quanto para explorar produtos e serviços.

Qual foi o grande êxito do Campus neste ano de vida?
O nosso maior sucesso não é um programa ou projeto por si só, mas de termos criado uma iniciativa valiosa para o ecossistema, espaços de convivência valiosos para o empreendedor e um novo canal para conectar a comunidade de startups do país.

Você considera que o Campus São Paulo já contribui para o ecossistema empreendedor brasileiro como um todo?
Eu tenho a ousadia de dizer que nós contribuímos sim. Digo isso baseado no nosso número de membros e em todos os nossos programas. Nestes 12 meses, já fizemos mais de 400 eventos. É uma média de mais de um evento por dia. Dizemos que não somos aceleradores de empresas. Somos aceleradores de ecossistemas.

Como é a relação do Campus com o Cubo [espaço de fomento ao empreendedorismo liderado pelo Itaú e pela Redpoint e.ventures]?
A relação com o Cubo é a maior e melhor possível. Não existe um clima de concorrência entre nós. Há a clareza, na verdade, que somos grandes aliados em uma missão muito maior. Nossos propósitos estão alinhados.

O Flávio [Pripas, diretor do Cubo], inclusive, participa de maneira próxima na seleção das startups do programa de residência e em mentorias. E eu também atuo no Cubo. Nós, inclusive, nos reunimos uma vez por mês para falar do que pode ser feito para aprimorar o ecossistema.

Quais foram os impactos da crise para o ecossistema?
A crise não freou o crescimento das startups. O mau momento teve um lado bom. Por exemplo, a crise faz com que oportunidades surjam, que clientes busquem empresas que gerem o maior valor possível para eles. E as startups são as melhores empresas possível para criar coisas novas e sair do “mais do mesmo”. Além disso, muita gente com um profundo conhecimento em diversos mercados se viu desempregada e apostou nas startups.

Para mim, o ponto para mais se pensar é: se conseguimos isso na crise, imagina o que podemos fazer em uma economia com mais estabilidade?

Quais são os planos para o futuro do Campus São Paulo?
Aprendemos muito no último ano. Este aprendizado se refletirá em adaptações, reflexões e refinamentos. Por exemplo, focamos no apoio a startups em um estágio mais avançado de crescimento, mas também queremos trabalhar com empresas menores e maiores que essas.

Outra meta é fortalecer as nossas conexões com outros nomes do ecossistema espalhados pelo Brasil. Há uma distância geográfica, mas nossos desafios são muito próximos.