Entre BRICS, Brasil é quem mais protege segredos de empresas

Brasil protege segredos corporativos pior do que países desenvolvidos, mas melhor do que os BRICS

Na hora de proteger segredos de empresas, o Brasil não é tão eficiente quanto as economias avançadas, mas ganha de seus pares nos BRICS e na América Latina.

A conclusão é de um documento da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) apresentado recentemente.

Foi analisada a proteção de segredos corporativos com valor comercial em 21 países: além dos 11 associados à organização (a maioria desenvolvidos), entraram os BRICS e mais 5 parceiros.

Um índice foi criado para cada um com base nas leis em vigor e casos já processados, além do TRIPS, primeiro acordo internacional sobre o assunto, em vigor desde 1995 e do qual todos os países são signatários.

Os Estados Unidos estão na liderança do ranking, apesar de suas empresas perderem US$ 300 bilhões anuais por causa do problema, de acordo com algumas estimativas.

Brasil

Com nota de 3,38, o Brasil ficou em 14o, atrás da Suécia e na frente da Colômbia. De acordo com o relatório, a análise é complicada porque poucos casos do tipo chegaram aos tribunais brasileiros.

Apesar de garantir a proteção de segredos de produtos agrícolas e veterinários em processo de aprovação, o Brasil não faz o mesmo com medicamentos farmacêuticos – e é muito criticado por isso pelas empresas estrangeiras do setor.

Outro problema brasileiro, de acordo com o relatório, é que há muitas restrições a acordos comerciais que envolvam a troca ou licenciamento voluntário de segredos corporativos.

Na última posição, os chineses recebem críticas duras. Uma pesquisa de 2011 com executivos internacionais colocou a China entre os 3 países que oferecem maior ameaça à segurança de dados.

Até o governo americano já acusou o país publicamente. No ano passado, o escritório da presidência divulgou um documento com o título “Estratégia da Administração para Mitigar o Roubo de Segredos Corporativos dos EUA”.

Impacto econômico

A OCDE considera que proteger segredos corporativos internos é essencial para estimular o desenvolvimento da inovação.

Curiosamente, uma proteção mais eficiente também pode estimular a troca de informações. Com regras claras e duras contra o vazamento, há mais conforto em alargar o grupo de pessoas com acesso a algum segredo.

Fonte: Exame.com