Engenheiro deve ter perfil cada vez mais ligado à inovação: estar pronto para mudar será um diferencial

Diretor acadêmico do ISITEC explica cenário atual e aponta os rumos da profissão

    José Póvoa, diretor acadêmico do ISITEC

Vivemos, nas últimas décadas, intensas transformações na área de tecnologia, que se espalham pela sociedade e geram novas demandas à formação cientifica e à engenharia. A afirmação é do professor doutor José Póvoa, diretor acadêmico do Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (ISITEC), ao contextualizar as necessidades de formação nessa área. “Preparar profissionais para enfrentar esses desafios passou a ser uma questão primordial para o Brasil galgar melhores posições no ranking mundial e que permitirá um aumento na qualidade de vida de sua população”, destaca.

Póvoa explica que a engenharia no Brasil, em muitas áreas, já é muito boa e de nível internacional. “As engenharias civil, química e de materiais, por exemplo,estão entre as mais avançadas do mundo. A formação desses engenheiros em instituições brasileiras não deixa nada a desejar à adquirida pelos estudantes em boas universidades do mundo. Podemos observar, por exemplo, a capacidade que o Brasil já tem para a exploração de petróleo em águas profundas e na indústria aeronáutica.”

O professor ressalta que não é mais possível pensar no Brasil apenas como um exportador de commodities “É necessário agregar valor aos nossos produtos e isso só se faz com uma engenharia capaz de perceber esse problema e resolvê-lo, independentemente de qual seja a área que pertença”, afirma. Daí vem a importância de formar engenheiros voltados para a inovação, que saibam ver o que a humanidade quer e precisa, para atendê-la no que for necessário. “Hoje em dia precisamos de um engenheiro que consiga se adaptar às necessidades nacionais, regionais e/ou mundiais, que aprenda de forma rápida e objetiva”, reforça. O Brasil tem como ponto forte algumas engenharias que devem ser mantidas e estimuladas para se tornarem ainda melhores.

Segundo Póvoa, o ponto fraco é que ainda são poucos os cursos de engenharia que capacitam o estudante para continuar sendo engenheiro daqui a 20, 30 ou 50 anos, quando sua atuação será muito diferente do que é hoje ou do que foi no passado “Vivemos um dilema mundial preocupante porque, ao mesmo tempo em que existe o desemprego, também existe uma demanda muito grande por profissionais com conhecimentos e habilidades específicas”.

Nesse mundo no qual a dinâmica é ditada pela geração contínua de inovações tecnológicas baseadas, principalmente, em conhecimentos científicos, só permanecerão empregados o “novo operariado” com grande capacidade de se adaptar e aprender. Em grande parte, isso envolve os engenheiros.

“O grande desafio é como preparar hoje um jovem para atuar no trabalho do futuro”, afirma Póvoa. Diante desse cenário, o ISITEC está sendo constituído com a incumbência de contribuir para capacitar os jovens que irão atuar nesse mundo em constante mudança. “É preciso que ele seja capaz de aprender e desaprender quando necessário; que admita que precisará continuar aprendendo pelo resto da vida; que tenha uma visão multidisciplinar do mundo; que seja multiespecialista, ou seja, que consiga se especializar em diferentes áreas do conhecimento em um determinado momento, mas que se essa área acabar, seja capaz de se envolver em outras”, alerta o professor.

Póvoa afirma que o curso de graduação em Engenharia de Inovação, que está em aprovação no MEC e que está previsto para ser oferecido em 2013 pelo ISITEC, atuará – de forma inédita no Brasil – na capacitação desse novo engenheiro, com formação científica sólida voltada à inovação. “Esse estudante estará apto a atuar em novas áreas, promovendo uma vivência em um ambiente de constante aprendizado”, afirma. De acordo com o professor, esse é um modelo que todos os cursos de engenharia deverão adotar e a experiência do ISITEC poderá ser compartilhada com outras instituições de ensino brasileiras. “Como é de responsabilidade do engenheiro produzir e/ou aperfeiçoar coisas e o mundo está em franco processo de inovação, a formação – ou requalificação – desse profissional deve também se adaptar à nova era”, conclui.