Desenvolvimento, justiça social e soberania para um Brasil inteligente

Processo deve passar por utilização dos recursos naturais, da força de trabalho e da capacidade produtiva

  Embaixador Samuel Guimarães (ao centro)

O último dia do VIII Conse (Congresso Nacional dos Engenheiros) reuniu o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, a pesquisadora da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), Ceci Juruá, e o professor da UFF (Universidade Federal Fluminense) e consultor do projeto “Cresce Brasil”, Marco Aurélio Cabral Pinto, para debater o tema “Brasil inteligente: um país desenvolvido, justo e soberano”.

Guimarães destacou que o desenvolvimento de um país passa pela utilização de seus recursos naturais, de sua força de trabalho e da capacidade instalada produtiva. Segundo o embaixador, a questão das diferenças sociais não se resolve com a simples transferência de renda, mas com a geração de emprego – o que requer aumento da capacidade de produção instalada. “No entanto, o parque industrial brasileiro se encontra cada vez mais desnacionalizado”, apontou Guimarães.

Para ele, o Brasil, por estar numa situação favorável em relação a outros países e regiões, como os Estados Unidos e a Europa, vem atraindo muito as multinacionais. “Por isso o país precisa criar agora regras e disciplinas, de modo a garantir vantagens para a sociedade brasileira, como a transferência de tecnologia.”

O professor da UFF e consultor do projeto “Cresce Brasil”, Marco Aurélio Cabral Pinto, ressaltou a necessidade urgente de desenvolver ‘inteligência’ e capital humano. “É preciso implantar o Plano Nacional de Educação e fazer esforços de integração entre as esferas públicas.” Pinto defendeu ainda a aproximação entre o Sistema Nacional de Inovação e a educação básica e fundamental como forma de garantir esse processo de inovação, centrado numa proposta de formação de quadros tecnológicos.

Privatizações

A pesquisadora Ceci Juruá fez um relato crítico do modelo econômico que vem sendo implantado no país desde 1990, no âmbito das privatizações. Um sistema “inaugurado”, segundo Juruá, pelo ex-governo Collor e seu PND (Plano Nacional de Desestatização). “Ele tirou da “cartola” o PND que colocou na porta de saída um conjunto de estatais que tão brilhantemente havíamos construído durante 50 anos. Junto com elas foram os nossos minerais, o nosso subsolo, a Vale do Rio Doce, as ferrovias, a energia, o petróleo.”

O modelo em questão promoveu a abertura da economia, comercial e financeira, o que significou, segundo a pesquisadora, não ter mais fronteiras. “E para os exportadores foram dados generosos incentivos tributários, que são uma complementação de abrir o país para o comércio exterior”, complementou.

Para ela, a política econômica implantada até agora no Brasil produziu internacionalização e desnacionalização. “O controle da economia nacional está nas mãos de empresas estrangeiras. Não podemos fazer de conta que isso não existe.” Ao final da sua fala, Juruá lançou um desafio para os engenheiros reunidos no VIII Conse: pensar qual a diferença, hoje, entre a empresa de capital nacional e a estrangeira, identificar o que é uma e o que outra, e quais repercussões isso gera.

*Com informações do site do Sindicado dos Engenheiros do Estado de São Paulo.