Brasil precisa discutir inovação e adotá-la no dia a dia

Diretor geral do ISITEC destaca a importância da engenharia como condutora do processo de desenvolvimento sustentável do País

    Antonio Octaviano, diretor geral do ISITEC

Um dos principais focos do Insituto Superior de Inovação e Tecnologia (ISITEC) é a disseminação da inovação – seja ela em processos, em tecnologias, em novos formatos de organização e mentalidades. Segundo o diretor geral da instituição, Antonio Octaviano, em qualquer iniciativa – que tenha como alvo a melhoria das condições de existência e ambientais da humanidade – devem ser empregados processos e produtos que tenham conteúdos tecnologicamente inovadores, combinando máxima qualidade possível com custo razoável.

“Dessa forma geramos soluções que, por serem competitivas, fatalmente atingem grandes contingentes de pessoas e que podem contribuir para melhorar o mundo em que vivemos. Quando pensamos na biotecnologia, na nanotecnologia, nos novos materiais e em sustentabilidade, percebemos caminhos que podem efetivamente contribuir para a solução de grande parte dos problemas que afetam a humanidade”, afirma.

Octaviano acredita que isso está cada vez mais palpável, na medida em que crescem investimentos em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos e processos. “A formação e a capacitação de pessoas aptas a enfrentar os desafios postos pela atualidade – que requer estar pronto para inovar constantemente – é de suma importância. Nesse sentido, melhorar a eficiência e a eficácia do sistema educacional brasileiro – desde o nível fundamental até o superior, público e privado – passa a ser condição indispensável para a solução dos nossos problemas e insumo básico para que se atinja uma dinâmica de desenvolvimento sustentável”, ressalta.

Ensino, governo e iniciativa privada juntos

Falar de desenvolvimento sustentável também inclui uma discussão importante que é a da segurança no trabalho, que deve estar presente de novo inovador no dia a dia. No dia 15 de agosto o ISITEC realizou, em parceria com a Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), o 1º. Fórum Nacional Trabalhos em Altura. O diretor explica que a promoção desse evento marca um caso de aplicação do conceito da tríplice hélice – ação na qual se reúnem instituição de ensino, governo e iniciativa privada.

“Eventos como esse posicionam o ISITEC na liderança de processos e projetos de inovação, que visam entender, discutir, gerar melhores práticas e apoiar regulamentações tão necessárias para setores como os sensíveis ao trabalho nas alturas e aos riscos gerados por ele.”

O diretor acrescenta que ainda hoje atividades que são realizadas em alturas provocam inúmeros acidentes, muitas vezes fatais. Daí a importância da adoção de técnicas e cuidados que previnam essas ocorrência. “É um jogo que só tem ganhadores: as empresas, os trabalhadores e o país”.

Apesar da importância das normas de segurança, ainda é difícil que todos os envolvidos no setor as reconheçam e as coloquem em prática. Segundo Octaviano, isso acontece porque, com frequência, imperam a visão de curto prazo e imediatista. O que poderia ser um ganho econômico no curto prazo – por exemplo, a não adoção de equipamentos individuais e coletivos de trabalho e o não treinamento adequado dos profissionais – pode vir a se transformar, no futuro, em problemas judiciais ou mesmo em irremediáveis perdas materiais e humanas, com danos à qualidade dos empreendimentos e à imagem das empresas. “A utilização de normas técnicas exige mudança cultural e de postura, sendo ainda essenciais para os processos de desenvolvimento tecnológico”, reforça.

Entretanto, o momento é de otimismo na opinião no diretor, no que diz respeito aos novos rumos da área. “A engenharia e a profissão de engenheiro estão retomando a sua importância na implementação dos programas e projetos de desenvolvimento brasileiros”, destaca.

Mudança de mentalidade e de postura

Para Ocatviano, a participação do engenheiro é indispensável, embora não suficiente, em qualquer esforço publico ou privado de crescimento econômico e de ampliação da oferta de mais e melhores bens e serviços. “A recuperação da nossa capacidade de planejar e de projetar deve ser vista como um fato positivo. Afinal, um empreendimento só termina bem quando tem seu inicio calcado em bom planejamento e projeto de qualidade.”

Para que esse processo evolutivo se concretize em um futuro próximo, Octaviano ressalta que é preciso ampliar a quantidade de engenheiros que são formados, conjugando-se esta com uma forte atuação a favor da boa qualidade dos egressos dos cursos de engenharia. “Isso só conseguimos com escolas que tenham uma proposta pedagógica inovadora, uma estrutura curricular arrojada, metodologia de ensino avançada e globalizante e, principalmente, com estudantes motivados e com uma boa base de conhecimentos”, conclui.