Artigo – Ainda a falta de engenheiros

Continuam as discussões a respeito da engenharia, profissão tão necessária nas atuais circunstâncias do desenvolvimento. A demanda prevista para 2020, com um crescimento econômico de 6% ao ano, é de aproximadamente 1,2 milhão de engenheiros. É quase o triplo do existente hoje, segundo relatório do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

A falta desses profissionais tem a sua origem no período de estagnação econômica, que provocou a desvalorização da atividade com baixos salários e desemprego. Foram as décadas das estatais que ofereciam segurança, benefícios e remuneração razoável. Agora, para enfrentar o desenvolvimento de projetos e a construção da infraestrutura necessária, nos mais variados ramos de atividades, além da volta da atratividade financeira com salários condizentes e benefícios, vamos amargar o tempo necessário para a maturação desses profissionais.

Essa lacuna, somada às dificuldades econômicas no velho mundo, tem provocado um grande interesse de profissionais estrangeiros em todas as áreas de atividades em nosso país. Nesse contexto, é importante lembrar que nos tempos das vacas magras no Brasil, os nossos engenheiros viraram suco e tiveram dificuldades para exercer a profissão além das nossas fronteiras.

Entendo que não devemos simplesmente vetar a entrada dos que vêm do exterior, mas a abertura deve se dar em áreas específicas e nas quais notoriamente somos deficientes; jamais pode ser utilizada para conter a ampliação da remuneração dos brasileiros, que ainda lutam por valorização. Além disso, item importante que deve vir à frente de qualquer discussão sobre o tema é a reciprocidade.

Esse é um assunto de todos: dos profissionais, da engenharia brasileira, das empresas, do governo e dos nossos representantes legais, o Sistema Confea/Creas. Vamos discuti-lo de forma racional, visando atender as nossas necessidades de desenvolvimento. Por fim, é fundamental, sob todos os aspectos, a valorização dos profissionais da engenharia nacional.

* por Antonio Roberto Martins, diretor 2º secretário do SEESP